Outubro.


E quando você menos imagina, o final do ano já está batendo na sua porta e você percebe que mais um ano se passou.
Faltam apenas dois meses.
E o que você fez por você esse ano?
Esqueça agora tudo o que você fez forçado, fez não querendo, fez pelas pessoas. 
O que fez o seu ano valer a pena?
O que está fazendo você valer a pena?
É incrível como o tempo consegue lhe surpreender a cada singela piscadela. Quando você acorda para a realidade mais um ano se passou e com ele memórias ou arrependimentos, não do que fez mas sim do que deixou de fazer. Chega a ser incompreensível como a sua vida passa tão rapidamente por seus olhos e você a deixa passar sem ao menos tentar fazer valer a pena. 
O que te motiva?
Todos os objetivos traçados no primeiro dia de janeiro, todos os sonhos milimetricamente planejados e esquecidos no percorrer dos meses. 
O que te fez desistir?
A motivação precisa ser maior do que o desânimo. Seus dias felizes precisam ter mais frequência. É interessante como a literatura me motiva a escrever, enquanto estudo o Classicismo e Camões, citando em suas obras a efemeridade do tempo, repenso como obras de tantos anos conseguem fazer tamanho sentido em nossa sociedade atual. 
O que nos fez desvalorizar tanto a nossa vida?
Uma das desvantagens de ter os seus sonhos milimetricamente planejados são os desapontamentos que você pode ter que lidar caso não consiga realizá-los conforme desejava, mas decepções são tão positivas quanto as bonanças, afinal, através de erros conseguimos nos concertar.
Mas, tentando voltar ao foco principal do texto, aprecie a inconstância do viver, mas realmente aprecie a vida e consiga, com todas as suas forças, se doar o máximo possível nesses seus dois últimos meses de 2016. 
Faça-o ser lembrado por um ano com realizações em sua vida, não ao contrário. Fazer exame de consciência no último dia do ano não lhe trará nada de diferente. Comece o novo hoje. 
Não faça a sua vida ser baseada no passado ou apenas em lembranças, faça a sua vida ser baseada no hoje. 
Tanto de meu estado me acho incerto, 
Que em vivo ardor tremendo estou de frio; 
Sem causa, juntamente choro e rio; 
O mundo todo abarco e nada aperto.  

É tudo quanto sinto um desconcerto; 
Da alma um fogo me sai, da vista um rio; 
Agora espero, agora desconfio, 
Agora desvario, agora acerto.  

Estando em terra, chego ao Céu voando; 
Numa hora acho mil anos, e é de jeito 
Que em mil anos não posso achar uma hora. 

Se me pergunta alguém porque assim ando, 
Respondo que não sei; porém suspeito 
     Que só porque vos vi, minha Senhora.        
                         
Luís de Camões

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